Páginas

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os meus últimos dias no trabalho

Após o despedimento fui trabalhar mais duas semanas - como já mencionei aqui tive que tirar as férias não gozadas e depois é que fico mesmo no desemprego (a partir de 1 de Maio). 


Muitas pessoas podem perguntar-se: que motivação se tem para levantar todos os dias para ir trabalhar depois de um chute não merecido no traseiro? Confesso que também me perguntei isso, tive aquele choque inicial, aquela sensação de que não fui valorizada, cheguei a questionar para quê o esforço, a dedicação e o profissionalismo, se na hora da verdade uma pessoa é preterida porque ganha mais? pelos vistos ser um bom profissional não vale nada!


Mas essas questões apenas me assaltaram no próprio dia, um pouco no dia seguinte (o que eu apelido da ressaca, e sim, esse dia de trabalho foi mau!!!!) depois foram-se desvanecendo e o meu otimismo começou logo a vir à tona, a vida pode dar-nos limões, nós só temos que fazer limonadas (que cliché, grrrrr). Comecei a ver o que me aconteceu como uma oportunidade, a oportunidade de desenvolver um projeto meu que está em coma há 3 anos (noutro post falarei disso), a possibilidade de ter alguma liberdade, ser dona do meu tempo, poder colocar os meus contactos em dia, organizar-me, parar, refletir sobre o rumo a seguir. Conclui que me tinha encostado um pouco à bananeira da segurança e da estabilidade, quando afinal nenhuma das duas existiram, eram puramente virtuais e ilusórias.


E após todas as reflexões, olhei em frente e vislumbrei um mundo de oportunidades, senti-me leve, vi um brilhozinho nos olhos que não via há algum tempo, sorri e vi as imensas janelinhas que existiam e se podiam abrir, as decisões de vida que tinha adiado e agora podia antecipar e foi com esta imensa crença no que o futuro me podia trazer de bom -  e de que o que ficou para trás era mau em relação ao que aí vinha  -  que fui trabalhar cada dia, que tive vontade de me levantar, que animei todos os dias os meus colegas e os últimos dias voaram, cada dia chegava ao fim mais depressa que o anterior, ri-me até não poder mais (cheguei a voltar para casa com dores no abdominal de tanto rir), saí com a sensação de dever cumprido, de bem comigo e com o mundo e, ao contrário do que eu própria cheguei a pensar, não custou nada, porque eu me sentia feliz por poder explorar novas possibilidades....


Se tenho receio do futuro? tenho, ainda para mais com a enorme crise que está instalada,  mas acredito que vou superar, e muitas vezes é preciso acreditar e é esse acreditar que nos faz seguir os nossos sonhos e chegar longe mesmo em tempos adversos..... por vezes os nossos inimigos somos nós próprios, porque nos bloqueamos, só temos que lutar contra isso e acreditar (já estou a parecer um pastor da IURD, "Vamo aí meu irmão, tira esse demônio, deixa fRuir para fora")...

Sem comentários:

Enviar um comentário